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Entrevista: o que aprendi com um negócio sazonal

Renata Furtner

Essa é a primeira entrevista da série O que aprendi, um espaço reservado para que empreendedores de diversas áreas possam contar um pouco sobre seus desafios. O objetivo é compartilhar com outros empreendedores truques que aprenderam ao longo do seu trajeto.

Esperamos que gostem dessa jornada e que possam compartilhar conosco o que também aprenderam por aqui.

Prontos para começar?

Negócios sazonais

Segundo o Sebrae as micro e pequenas empresas representam 27% do PIB nacional, isso quer dizer, que a maioria das pessoas que abrem uma empresa não tem especialistas em mercado, em branding, ou alguém que entenda dos aspectos legais e produtivos do negócio ou grandes assessores.

Mas o que falta em recurso sobra em vontade e é por isso que o empreendedor quase sempre sabe um pouco de tudo e consegue ter uma visão generalista do seu negócio.

Há uma infinidade de temas que você precisa dominar para conseguir prosperar de verdade, mas no geral há um passo a passo para colocar a sua empresa no mercado:

  1. Fazer uma análise de mercado e mapeamento da concorrência;
  2. Conhecer bem seu cliente ideal e traçar uma estratégia para alcança-lo;
  3. Caprichar na divulgação e esperar que seu produto se torne indispensável.

O que poucas pessoas contam é que provavelmente no começo você vai trabalhar o dobro, receber 1/3 e precisar se renovar algumas vezes até se consolidar.

De acordo com o Sebrae uma em cada quatro empresas fecha o CNPJ após 2 anos. Se você conseguiu ter o foco e a persistência necessária para se solidificar no mercado, provavelmente conseguirá ter uma boa previsibilidade de renda.

Mas o que fazer quando o seu negócio é considerado sazonal?

Se você acha que negócios sazonais são apenas sorveterias, está enganado. Alguns mercados são menos óbvios em relação a sazonalidade e isso faz com que os empreendedores sejam pegos de surpresa.

É o caso da irmãs Giovanna e Giulianna Siracusa, empreendedoras que resolveram apostar em uma ideia que já virou tendência nas principais capitais do país: o já queridinho coworking. E assim nasceu o L’oasi Coworking em São José dos Campos.

Para quem não sabe Coworkings são escritórios compartilhados por empreendedores de diversas áreas. Neste formato é possível compartilhar espaços mais bonitos, modernos e equipados pelo preço que você pagaria em uma salinha convencional sem móveis e serviços.

Série negócios sazonais
Espaço de descompressão – L’oasi Coworking

Apesar da ideia ser genial e necessária, as irmãs perceberam que praticidade demais também poderia ser uma desvantagem. Como os empreendedores podem pagar apenas quando estiverem utilizando o espaço, as festas brasileiras que começam em dezembro e só encerram depois do carnaval começaram a impactar negativamente nos resultados, deixando o caixa da empresa instável.

É angustiante ver as despesas chegando mensalmente quando as receitam flutuam. Você já se viu nessa situação? Se sim, esse texto é para você.

Conheça o que a Giovanna aprendeu abrindo um negócio sazonal e as lições que você pode tirar disso.

1) Antes de abrir seu negócio você já havia mapeado a sazonalidade desse segmento?
Infelizmente não. Não havíamos considerado o fator sazonalidade previamente. Por se tratar de um serviço de apoio administrativo de escritório, imaginamos que mesmo com período de férias, as empresas iriam continuar precisando dos serviços. No entanto, como diferencial competitivo, oferecemos bastante flexibilidade para nossos clientes, a decisão de compra é mensal – o que experienciamos é que algumas empresas rescindem o contrato em dezembro e voltam a utilizar o escritório em fevereiro.

2) Em algum momento você pensou em desistir por conta disso?
Não, mas é um fato que precisamos nos preparar previamente. Tanto em relação a adequação de contratos, como em relação ao fluxo de caixa.

3) Descreva como foi para você o primeiro mês de queda: como você se sentiu, quais foram seus medos e preocupações.
No primeiro mês de queda foi desafiador, ficamos preocupadas. Nossos custos continuaram os mesmos e não sabíamos se o faturamento iria voltar ao patamar anterior. Mas voltou.

4) O que você faz para incrementar a receita nos meses mais calmos?
Não trabalhamos com desconto nos meses mais calmos, pois não é nossa política trabalhar com diferenciação de preço entre clientes. O que vale para “Maria” vale para “João”, independente de ser Dezembro ou Abril, por exemplo. No entanto, trabalhamos de outra forma os meses mais calmos. Aproveitamos para dar férias (mais que merecidas) para nossa colaboradora e investir nas manutenções da casa.

5) Como você se planeja com um fluxo de caixa que oscila?
Consideramos que toda empresa (independente da sazonalidade ou não), deve ter uma reserva de caixa equivalente a 3-6 meses de custo fixo mensal.

6) Seus investimentos em marketing também oscilam ou você mantém uma consistência? Por quê?
Nossos investimentos em marketing não oscilam. Ainda estamos em fase de ajuste sobre o valor ótimo e mídias em investir.

7) Você tem estratégias de marketing específicas para as diferentes épocas do ano? Se sim, quais?
Não temos estratégias de marketing especificas para diferentes épocas do ano, mas procuramos trabalhar as datas comemorativas nas mídias sociais e eventos.

8) Qual é o tamanho da queda nos meses mais calmos?
Cerca de 15%.

9) O que você aprendeu gerenciando um negócio sazonal?
As regras de cada contrato tem que ser estritamente aplicadas, sem flexibilidade – sendo que existem diferentes tipos de planos com benefícios diferenciados.

10) Qual dica você daria para empreendedores com este mesmo desafio?
Sempre tenha reserva de caixa e tenha em mente que seu valor tem que suportar os meses de baixa também.

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Renata Furtner
Renata Furtner

Psicóloga, especializada em Neuromarketing e Comportamento do Consumidor. Citação favorita: "Seja gentil sempre que possível. Sempre é possível."

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